Nova Futura Investimentos 15 de abril de 2019 3 minutos lendo
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Uma conversa acerta tudo?

15 de abril de 2019   -   3 minutos lendo

·     O principal evento do mercado acionário brasileiro da semana passada foi o bloqueio do aumento de quase 6% do diesel, sinalizando uma mudança na política de preços da Petrobrás. O mercado vai esperar por uma sinalização clara do governo para voltar ao ciclo de otimismo anterior ou entrar em um período de realização. No final de semana o ministro Paulo Guedes, que estava nos EUA, mostrou-se esperançoso de reverter a questão ao falar que “uma conversa conserta tudo”. Hoje ele se reúne com Bolsonaro às 16 horas e amanhã eles sentam com a diretoria da Petrobrás para ouvir o que os técnicos têm a dizer. Essa questão é o principal nó a ser desatado pelo mercado local nessa semana. A manutenção do cenário “intervencionista” em relação à Petrobrás pode dar início a um movimento importante de saída de ativos brasileiros por parte dos investidores estrangeiros. Por outro lado, a ocorrência de uma greve de caminhoneiros pode produzir um “evento de cauda” sobre os cenários prospectivos do mercado.

·     O BC divulgou o IBC-Br de fevereiro, que despencou 0,78% em relação a janeiro. Uma parte dessa queda pode ser tributada à paralização da Vale, em função do acidente de Brumadinho. As atividades da mineradora têm influência significativa nos indicadores de atividade. Porém, outros indicadores, como os de confiança e o monitor do PIB da FGV já antecipavam essa piora, na margem, da atividade econômica no primeiro trimestre. As expectativas do mercado estão piorando em relação ao PIB de 2019 e já caíram de 2,60%, no início de janeiro, para 1,95% na sexta feira. Nossa estima está em revisão e deverá ficar entre 1,0% e 1,5%.

·     A piora nos indicadores de atividade e o aumento das incertezas em relação à condução da política econômica podem produzir um cenário de realização para os ativos brasileiros se não houver sinalizações efetivas na direção contrária. Esse cenário não está precificado pelo mercado e deve gerar algum incômodo nos próximos pregões.

·     No exterior, a divulgação dos balanços do primeiro trimestre é a principal variável para que os agentes decidam os próximos passos em relação ao mercado acionário dos EUA, que está na vizinhança do seu topo histórico. Se os balanços mostrarem força, mesmo após a desaceleração da atividade, o mercado fica livre para continuar a alta, incentivado pela manutenção dos juros por parte do FED. Se, ao contrário, os balanços mostrarem perda de dinamismo, podemos entrar em um novo período de realização. O S&P500 caiu cerca de 19% no último trimestre, saltando do topo de 2.930 pontos para uma mínima de 2.350, por conta da reação do mercado ao aperto produzido pelo FED. Ainda que s perspectivas sejam “binárias”, o mercado continua complacente com os preços, sobretudo quando observamos a percepção de risco, medida pelo índice VIX. Eles está perto se seus mínimos, refletindo tanto os juros baixos, como a disposição dos agentes em manter suas posições em ativos mais arriscados. Essa tendência também é mostrada na curva de juros, que ficou positiva novamente, saindo dos -9 bps para os atuais +17 bps.  

·     A tendência é a do mercado manter a situação de espera em relação ao aumento do diesel e seguir a tendência externa.  A abertura sinaliza uma recuperação do mercado acionário, manutenção dos juros em patamar elevado e dólar estável.    

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