Nova Futura Investimentos 20 de março de 2020 8 minutos lendo
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Primeira Análise – 20/03/20

20 de março de 2020   -   8 minutos lendo

Ontem (19) foi dia de animosidade nas bolsas internacionais, as decisões dos bancos centrais deram ânimo aos mercados, fazendo com que os investidores tivessem um dia um pouco mais tranquilo em relação aos demais. Apesar da volatilidade que já era evidenciada pelos mercados futuros antes da abertura dos mercados de ações, as bolsas ao redor do mundo fecharam na direção da alta. 

No Brasil, o ânimo teve início com os ventos oriundos dos EUA trazendo a notícia que FED realizaria um swap cambial com os bancos de vários países, incluindo o Brasil, assim a o câmbio, que vinha subindo com força foi amenizado, fazendo que a moeda R$ 5,0978, ante R$ 5,1075 registrado na quarta-feira (18). 

Vale lembrar que FED realizou tal política pelo da existirem empresas americanas posicionadas em reais, de modo que exista liquidez para tais empresas possam, caso queira, liquidar suas posições e para levar equilíbrio para o mercado de câmbio. 

Além dos leilões do no valor de US$ 60 bilhões direcionados ao Brasil, o corte na taxa Selic também animou os mercados. Apesar de existir expectativa de alguns agentes de mercado sobre um corte mais forte na taxa Selic em 1 ponto percentual, o corte 0,5 ponto percentual, o qual levou a taxa de juros da economia de 4,25 para 3,75 foi o suficiente para trazer ânimo aos mercados. A medida foi mais que necessária, pois quando há um hiato do produto muito elevado, isto é, quando existe uma diferença muito grande entre PIB observado e o potencial da economia, a queda na taxa de juros pode estimular a economia e, no caso atual, amenizar alguns impactos ocasionados pelo covid-19. Do ponto de vista fiscal, os pacotes do governo para ajudar setores específicos da economia, contribuindo para elevação de ativos do setor de viagens. 

A expectativa e informações referentes ao retorno da economia chinesa também animou alguns ativos da bolsa brasileira ligados ao comércio com o país como as empresas que prestam serviços de logística e exportadores. Contudo, ainda é necessário a retomada forte total da economia brasileira para que a elevação desses setores tenham elevação robusta. 

Ademais, a bolsa brasileira também foi fortemente influenciada pelas bolsas de fora que se animaram com as intervenções dos bancos centrais (FED e BCE) e dos avanços quanto ao possível medicamento que pode ajudar na contenção do coronavírus e o avanço nos preços do petróleo que se elevaram em alcançando US$ 25,22 contra US$ 20,37 do dia anterior, por conta da pressão dos EUA para que os conflitos da OPEP+ se resolvam, além da compra do petróleo por parte do Estado americano. 

Assim, a bolsa brasileira fechou em alta de 2,15%, alcançando 68.331,80 pontos. 

Nos EUA, apesar da volatilidade, o mercado absorveu bem a política de compra de petróleo por parte do Departamento de Energia dos Estados unidos em 300 milhões de barris, de modo a pressionar a briga entre russos e sauditas e dos avanços do setor médico em relação ao coronavírus, cloriquina, que é um remédio que foi utilizado para combater a malária. 

Contudo, apesar do remédio ter potencial de cura do covid-19, ainda é necessário a isolamento e, por seu turno, paralização da economia, pois o que realmente contêm a doença é o controle das aglomerações, pois mesmo que a doença saia do hospedeiro, ela pode voltar caso exista aglomeração ou contato com infectado. 

Assim as bolsas americanas fecharam em alta. A Nasdaq, liderou a alta, subindo em 2,30%. O Dow Jones, fechou em 0,95% e o S&P 500 subiu em 0,47%. 

O VIX, mostrou queda na volatilidade, porém o principal indicador de risco do mercado americano cair em 5,82%, alcançando o nível de 72, o valor ainda está muito alto. 

Apesar dos resultados positivos da bolsa, vale lembrar que os dados de atividade econômica. O Índice de atividade industrial divulgado pelo FED da Filadélfia teve queda, alcançando -12,7 para março houve aumento de 61.000 pedidos de seguro desemprego, nos EUA, saindo de 211 mil pedidos na última observação e indo para 281 mil pedidos. 

Dados assim, mostram que a economia americana, apesar do avanço da bolsa está a cair, passando por uma recessão. 

O velho continente também seguiu as altas, apesar de todos os problemas que a Europa está passando por conta do covid-19, as bolsas se animaram com a atuação do BCE como forma de amenizar os impactos da pandemia na economia, além das atitudes dos governos em tentar combater a doença. 

A entidade monetária do bloco disponibilizou recompra de títulos de dívida corporativa e soberana, com o objetivo de dar liquidez ao sistemas financeiro e fortalecer os fluxos de caixa dos bancos europeus. 

Na Terra da Rainha, o BOE (Banco Central da Inglaterra) cortou a taxa de juros de em 15 pontos base, fazendo a taxa de juros do reino unido alcançar 0,1%. Os britânicos também expandiram o programa de compra de bônus que estava em £ 200 bilhões para £ 645 bilhões. 

A exemplo do BOE, Cristine Lagarde, disse que o programa de recompra de ativos por parte do BCE podem expandidas, com o objetivo de aliviar a crise ocasionada pela pandemia no continente. 

Assim, as bolsas europeias também mostraram alívio, permitindo o investidor europeu respirar. Paris fechou com alta de 2,68%. Milão teve avanço de 2,29%. Paris, se elevou em 2,00%. Madrid, acelerou em 1,93% e Londres, fechou o dia com avanço de 1,40%. 

Brasil: Evolução do emprego

O CAGED anunciará o índice de evolução de emprego no Brasil. Apesar das expectativas mostrarem que o mercado espera avanço, o emprego no país tende a cair. 

A expectativa de alta no indicador é porque ele ainda não levará os impactos do coronavírus na economia brasileira, tal qual como está prestes a acontecer. 

O fechamento do comércio, prestadores de serviços e até da indústria, aliadas a falta de previsibilidade dos agentes quanto ao futuro, isto é, a quantidade de tempo que que levará para economia brasileira entrar em um processo de recuperação, faz com que muitos demitam seus funcionários e que profissionais que trabalham na informalidade também percam seus empregos, pois não produzirão, ou melhor dizendo, não terão demanda por seus serviços. 

Esse processo é ruim para economia, pois com a economia perdendo pessoas empregadas, a renda cai. Com a queda na renda das famílias o consumo é pressionado para baixo, diminuído a demanda para bens e serviços. Sem demanda, muitos empresários não conseguem passar o custo de produção para os preços, fazendo a inflação cair por conta da pressão nos preços, e terá de cortar custos e a demissão é um dos caminhos, o que diminui mais ainda a renda e o processo se repete. 

Sem intervenção governamental, esse processo começa a se repete dentro da economia, configurando um evento chamado espiral deflacionária, evidenciando o estado depressivo da economia. 

Setor de construção e mais dados sobre o petróleo nos EUA

Nos EUA, haverá nova contagem das sondas de Baker Hughes, mostrando o número de plataformas de petróleo ativas no país. 

Com o indicador é possível entender o nível de atividade da indústria de petróleo e gás, pois as plataformas de perfuração dependem de produtos e serviços pela indústria petroleira. 

O indicador apresentou queda considerável ao longo do tempo e se estabilizou durante o ano de 2020 em um nível mais baixo que o observado pelos outros anos, devido à desaceleração econômica. 

Para o momento atual, a briga entre membros da OPEP+ e os efeitos do covid-19 também podem impactar negativamente o indicador. 

Todavia, a pressão do governo americano para um possível desfecho para briga entre russos e sauditas, pode trazer ânimo para o setor. 

Quanto à construção, a National Association of Realtors apresentará os dados referentes às vendas de casas usadas em fevereiro nos Estados Unidos. 

O indicador também é uma amostra um lado da atividade econômica, dado que quando os agentes estão com expectativas positivas quanto à economia eles assumem compromissos de médio a longo prazo, como a casa de um imóvel. 

O indicador vem mostrando uma trajetória de estabilidade na comparação em doze meses, contudo apresentou queda no último mês. 

As incertezas quanto a economia e o provável avanço do desemprego afetará o setor fortemente. 

Índices de preços e comércio internacional na Europa

Na Europa, a principal economia, a Alemanha, do continente divulgará o IPP, indicador de preços ao produtor, mostrando como os preços evoluíram sob a perspectiva dos produtores para o mês de fevereiro. 

Na Europa, a principal economia, a Alemanha, do continente divulgará o IPP, indicador de preços ao produtor, mostrando como os preços evoluem sob a perspectiva dos produtores para o mês de fevereiro. 

As expectativas do mercado para o indicador mensal é de queda, enquanto no acumulado de 12 meses, manutenção. 

A tendência, de acordo com o cenário recessivo, é de que os indicadores de preços tenham queda.

O mesmo sentimento recessivo se aplica ao indicador de expectativas de inflação que será divulgado pelo Reino Unido, apesar de o dado ser referente ao trimestre e não considerar alguns efeitos do coronavírus. 

As transações correntes da Zona do Euro e dos países da União Europeia também devem sofrer com queda em seu saldo, dado que o maior importador do mundo já estava passando por certa desaceleração no começo do ano os impactos da desaceleração econômica mundial para as próximas observações será um fator de muito peso para o indicador que tende a cair. 

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