Nova Futura Investimentos 20 de março de 2020 9 minutos lendo
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Saiba quais são os setores que resistem melhor a crise

20 de março de 2020   -   9 minutos lendo

Nesse momento em que o Ibovespa apresenta forte desaceleração, todas as ações do mercado parecem estar sofrendo na mesma intensidade. Contudo, é preciso levar em consideração que o Ibovespa representa uma cesta de ações, ou seja, um conjunto das ações mais negociadas na bolsa de valores, a B3.

Sendo assim, cada empresa faz parte de um determinado seguimento e setor de acordo com o serviço ou mercadoria relacionada a ela. Assim, a depender do setor no qual ela está incluída, pode haver maior ou menor sensibilidade em relação as quedas da bolsa de valores. 

Contudo, a bolsa vem caindo essencialmente pelo fortalecimento da desaceleração econômica decorrente do avanço do coronavírus. Desse modo é preciso entender como uma desaceleração econômica afeta cada setor. 

A desaceleração econômica é sinônimo de queda na renda de todos os agentes econômicos. Com isso, a demanda por muitos produtos cai. Então, com essa as empresas que os produzem terão redução nos lucros, que por sua vez, afetará seu orçamento. Ou seja, forçando demissões de modo em que as famílias terão uma renda menor para consumir. 

No caso do covid-19, o problema é que a economia fica parada devido as medidas de contenção da doença. As pessoas buscarão, em um primeiro momento fazer compras para passarem as semanas de quarentena. Assim, reduzindo os estoques das empresas. Posteriormente, não haverá demanda por produtos como comida e higiene pessoal. 

Além disso existem setores que terão queda na demanda por conta dos impactos internacionais. Quando o covid-19 estava no topo na China, muitas empresas estavam vulneráveis pelo fato de exportarem produtos para o país. Foi o caso das empresas de siderurgia como Gerdau e Usiminas. Assim, será elucidado os setores mais sensíveis ao momento atual. 

Consumo cíclico

Empresas de consumo cíclico são aquelas que possuem um nível de sensibilidade muito alto em relação à desaceleração da economia. Pois com esse baixo crescimento, a renda cai, fazendo com que as pessoas deixem de consumir produtos que não sejam de primeira necessidade. Quando a renda dos consumidores aumenta, é comum que seja feita uma troca na mobília, que o pai compre um videogame para o filho ou coisas do gênero. No entanto, quando a renda cai, esse tipo de consumo é sufocado, afetando fornecedores com essas características. O mesmo ocorre com empresas que vendem roupas, materiais esportivos e outros. 

Outro fator que prejudica o setor é o covid-19. Além da desaceleração econômica ocasionada pelo vírus, o fato das pessoas ficarem em casa como medida de contenção da doença e as medidas do governo no que diz respeito ao fechamento do comércio varejista por algum tempo, também impacta negativamente o orçamento das empresas participantes do setor. 

O fato de muitos produtos serem importados da China, também pressiona os custos de boa parte dos varejistas. 

Exemplo de empresas do setor: Via Varejo, Magazine Luiza, Centauro, Lojas Renner. 

Construção civil

O setor de construção civil segue uma lógica muito parecida com a de consumo cíclico. Com a queda na renda dos agentes advinda da desaceleração originada pelo coronavírus, 

A demanda por novos lançamentos e busca de empreendimento imobiliário cai fortemente, devido a queda da renda das famílias. O setor produtivo também acaba contraindo seus gastos, como resultado da desaceleração econômica, que eleva um nível de incerteza quanto ao tempo de recuperação.

Assim, os bancos também restringem a oferta e financiamento para a aquisição e construção de imóveis.

Exemplo de empresas do setor: Tecnisa, Cyrela, Lopes, BR Mall’s, Gafisa. 

Aviação e viagens

Todas as empresas que estão ligadas de alguma forma com viagens, sofrem muito na atual conjuntura.

Ademais a queda na tenda dos agentes que reduz a demanda por viagens. As medidas de contenção para restringir o avanço e amenizar os efeitos do covid-19 por parte do governo, impede que viagens sejam feitas no âmbito nacional e internacional. Fazendo com que esse setor caía ainda mais.

Especificamente no setor de aviação, as empresas também sofrem com a alta do dólar. A moeda americana está subindo graças a percepção de risco dos investidores em relação aos países emergentes. Como os custos dessas empresas são dolarizados, há pressão nas margens das companhias, impactando negativamente o resultado. 

Exemplo de empresas dos setores: CVC, Gol, Azul. 

Transporte logístico e portos

As empresas que realizam o transporte logístico e oferecem serviços portuários, sofrem com a desaceleração econômica. Sendo assim, com a quantidade de negócios fortemente diminuída com a retração da economia global e local, o número de carregamentos também caí. 

Os portos possuem diminuição em seu fluxo, pois a quantidade de negócios realizadas com o resto do mundo, que está parado, diminui fortemente. 

Exemplo de empresas do setor: Rumo, Santos Brasil, Cosan Logística, Tegma.

Locação de veículos

A recessão econômica diminui a demanda pela locação de veículos por parte das firmas e das famílias. Muitas famílias enxergam os serviços disponibilizados por empresas de aplicativos de viagens como um bem de luxo, ou seja, quando a renda aumenta elas passam a consumir. Um exemplo mais ilustrativo é a o passeio em casa de parentes que outrora era feito de transporte público, com a queda na renda, essas pessoas voltarão a utilizar ônibus e metrô. 

Outro fator que impacta negativamente as empresas do setor é o covid-19. Com as medidas de contenção da doença por parte do governo, mantendo a população em casa, a demanda por aluguéis das frotas advindas dos motoristas de aplicativos cairá fortemente. 

Exemplo de empresas do setor: Localiza. Locamerica e Movida. 

Petróleo e gás

A desaceleração econômica advinda do avanço da pandemia de coronavírus, faz com que a demanda por petróleo caia fortemente. Fazendo os preços da commodity negociados internacionalmente caírem consideravelmente. 

Além da crise originada pelo surto do covid-19, a guerra comercial em torno do petróleo entre russos e sauditas fizeram os preços despencarem ainda mais, gerando impacto negativo nas receitas das empresas que estão no setor. 

Exemplo de empresas: Petrobras, Petro Rio, Petrobras Distribuidora, Gerdau S/A. 

Mineração e Metalurgia

O setor de mineração sofre por motivos análogos ao de petróleo. A queda na atividade global por conta da desaceleração econômica, faz com a procura pelo minério caía. 

Os preços dos minérios caíram fortemente, gerando queda nas receitas das empresas. Um dos principais compradores de minério de ferro do mundo, a China, está começando a se recuperar agora. Porém até a recuperação ocorrer em todo mundo, os preços da commodity sofrerão pressão para baixo.

Exemplo de empresas do setor: Vale, Gerdau Metalúrgica, Usiminas. 

Agricultura e proteína animal

As empresas exportadoras de proteína animal e produtos agrícolas, sofrem pela queda na aceleração econômica de grandes compradores dos produtos brasileiros como a China. 

Contudo, a elevação do dólar contra as outras moedas eleva os preços dos produtos fazendo com haja aumento na receita. Outro fator é que as pessoas continuarão a consumir alimentos e é esse o negócio dessas empresas. 

Exemplo de empresas do setor: SLC Agrícola, Marfrig, Minerva Foods e JBS.

Empresas de setores menos sensíveis

Agora veremos as empresas que trazem mais segurança ao investidor. Mesmo que a desaceleração econômica afete toda economia, existem setores que sofrem menos, por conta de suas características. 

Energia 

Empresas ligadas a geração e transmissão de energia, sempre se mostram seguras em momentos de crise, pois mesmo em um momento de desaceleração econômica, a receita dessas empresas não é tão afetada. Além disso, a maioria das empresas desse setor não possui dívida elevada, fazendo com que o setor seja seguro em momentos de turbulência. 

Outro fator estrutural importante é que o setor é regulado, de modo que os consumidores não tenham controle pela quantidade do produto/serviço fornecido. Assim, os players presentes nesse mercado possuem maior estabilidade na previsão de seus resultados. 

Exemplo de empresas do setor: Engie, Taesa, AES Tietê, CESP. 

Bens e serviços essenciais (utilities)

As empresas que fornecem bens essenciais como saneamento e fornecimento de água, também possuem resistência em momentos de crise. O setor não possui sensibilidade ao exterior e a demanda pelos serviços prestados pelas empresas não sofre alteração, pois os agentes, independentemente da variação na renda, continuarão utilizar os serviços. 

Analogamente ao setor de energia, as empresas de utilities, possuem regulamentação, de modo que os consumidores não tenham controle sobre a quantidade. 

Exemplos: Sanepar, Sabesp e Copasa. 

Setor financeiro (grandes) e seguros

Grandes bancos também são um porto seguro nos momentos de crise. Quando a economia se encontra em momento recessivo, os agentes buscam aplicar seu dinheiro em empresas de menor risco, como os títulos de grandes bancos que tenham boa reputação. 

As empresas de seguro, também possuem resistência nesses períodos, dede que não estejam relacionadas a seguros de saúde, pois essa categoria pode sofrer pressão nas margens por conta do avanço do coronavírus. 

Como as empresas desses setores não possuem dívida, elas conseguem resistir ao momento recessivo. 

Exemplos de empresas dos setores: Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Porto Seguro. 

Setor de telefonia

O setor de telefonia também sofre pouco pelo fato de não ter nenhuma ou pouca relação com o ciclo recessivo internacional e, como hoje, as telecomunicações se tornaram um serviço de baixa sensibilidade em relação à renda. As empresas do setor possuem baixo impacto em suas receitas. 

Com as políticas de contenção do covid-19, muito provavelmente, a circulação de pessoas ficará restringida dentro das próprias cidades, a telefonia móvel e internet continuarão a ter demanda. 

Exemplos de empresas do setor: Telefônica e Tim Participações. 

Empresas diversificadas, sem dívida e que se beneficiem da apreciação do dólar

Apesar do conjunto de empresas que possuem essas características não se configurem em setor, elas também são fortes candidatas para o investidor que busca uma carteira defensiva. 

A diversificação em produtos e territorial (plantas em diversos países) é um fator que diminui o risco dessas empresas. Pois o ciclo econômico sempre afeta alguns países ou setores de forma mais abrupta que outros. Assim, quando há diversificação, essas empresas possuem menor impacto em suas receitas. 

Quando uma empresa não possui dívida ela tem caixa, que é uma das principais variáveis para uma empresa resistir aos momentos de crise. O endividamento aumenta a percepção de risco da empresa, fazendo com que ela tenha sensibilidade a momentos de recessão.  

Em conclusão, como há valorização do dólar em relação a todas as moedas internacionais, pelo fato dos grandes players globais estarem demandando mais dólares para aplicarem em ativos de baixo risco, as empresas exportadoras têm impacto positivo em suas receitas. Pois o preço de venda de seus produtos é elevado. 

Exemplos de empresas com essas categorias: WEG (diversificação e baixo endividamento), Klabin e Suzano (exportadoras). 

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