Nova Futura Investimentos 24 de março de 2020 7 minutos lendo
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Primeira Análise – 24/03/20

24 de março de 2020   -   7 minutos lendo

Ontem (23), os mercados fecharam em queda novamente mediante ao receio do mercado em relação aos impactos e evolução do covid-19. A indecisão nos EUA em relação ao pacote trilionário por parte do tesouro para ajudar a economia, ficou travado no congresso desde domingo (22) e assim continuou. Com isso, a desconfiança do mercado aumentou. 

Apesar do anúncio de incentivo por parte do FED, com o objetivo de colocar dinheiro na economia por intermédio da compra US$ 375 bilhões em Treasuries e mais US$ 250 bilhões em títulos lastreados em hipotecas. O banco central americano também informou que as dívidas de longo prazo dos bancos podem ser recapitalizadas para que que os cidadão continuem a ter acesso ao crédito. No entanto, as incertezas e a projeção de forte desaceleração de toda economia mundial, não forma suficientes para sustentar a desaceleração de perdas no mercado americano. 

Assim, com a instabilidade no campo político devido à disputa entre democratas e republicanos no congresso e o forte avanço do covid-19 fizeram as bolsas americanas amargarem mais uma queda, de modo que o mercado de ações americano segue seu caminho ao pior mês desde a grande depressão. 

O Dow Jones encerrou o dia com queda de 3,04%. O S&P 500, amargou desaceleração de 2,93% e a Nasdaq fechou com queda mais suave, com queda de 0,27%.

Apesar dos dados negativos, o VIX teve redução de 6,74%, acumulando 61,59 pontos. 

O petróleo também se elevou. Ademais o cenário adverso, a commodity registrou alta de 8,35%, fechando o dia cotada a US$ 23,36 o barril. 

As incertezas oriundas dos EUA afetaram o mercado de ações brasileiro. Contudo, as indefinições no campo político dentro do país e o avanço do covid-19 em vários estados também contribuíram fortemente para que o mal desempenho dos ativos. 

O mercado até tentou ensaiar uma alta no começo do diba, mas cedeu aos impasses políticos no que diz respeito às medidas de contenção do novo coronavírus e à contração econômica que está por vir em todo mundo. 

O governo liderado por Jair Bolsonaro vê sua popularidade, outrora em alta, ser corroída pelos descompassos entre esfera federal e os demais poderes. A MP (medida provisória) 927 que previa corte de salários em até quatro meses, com o objetivo de desestimular a demissão em massa, foi vista como ineficiente, pois ao não assegurar o salário, haverá queda renda e, por consequência no consumo. Desse modo, o Presidente voltou atrás e retirou a regra que previa a o não pagamento de salários por quatro meses. 

Já o Banco Central do Brasil, busca fazer estímulos para amortecer os impactos do covid-19 e dar liquidez ao sistema financeiro. A entidade monetária reduziu a alíquota do compulsório para recursos tomados a prazo, de 25% para 17%, injetando R$ 68 bilhões na economia a partir da próxima segunda-feira, dia 30.

A autoridade monetária também anunciou o Novo Depósito a Prazo com Garantias Especiais, a flexibilização de regras da LCA (Letras de Crédito do Agronegócio), empréstimos lastreados em debêntures e recompra provisória de títulos da dívida externa. 

Apesar de todas as mediadas por parte do Bacen serem vistas como positivas pelo mercado, os estímulos do ponto de vista fiscal também precisam ser acionadas com a mesma rapidez, caso contrário os efeitos negativos oriundos da pandemia serão ainda maiores. 

Com esse cenário ainda turbulento, o Ibovespa encarou mais uma queda, alcançando o pior desempenho entre as principais bolsas de valores de mundo, segundo grandes players internacionais. O Ibovespa fechou o dia em 63.569,62 pontos, apresentando queda de 5,22%.

O dólar comercial também se elevou em meio a tenção e sentimento de risco do mercado. Mesmo com a intervenção do Bacen ao vender US$ 739 milhões, a divisa encerrou o dia com alta de 2,21%, fechando o dia cotada a R$ 5,14.

Na Europa, a indecisão é menor em relação às maiores economias do novo mundo (Brasil e Estados Unidos). As medidas econômicas tomadas pelos bancos centrais caminham sob a mesma batuta das políticas fiscais e decisões das esferas governamentais.

Na Alemanha, principal economia da Zona do Euro, após anos de dívida e contas públicas controladas, foi anunciado um pacote contra o covid-19 no valor de € 750 bilhões. O ministro das finanças do país, Peter Atmaier, vê a economia germânica podendo desabar em 5% e tal medida é de suma importância para amortecer a abrupta queda. 

Na terra da bota, o governo de Salvoni anunciou que colocará € 50 milhões, após receber o aval da União Europeia, na economia com o objetivo de potencializar a produção de materiais médicos. 

Próximo ao continente, o Reino Unido também toma medidas de contenção da doença. Boris Johnson ampliou a política de isolamento, inclusive, fechando Londres, seguindo as medidas de boa partes dos governos, vendo o isolamento como uma das principais medidas para conter o avanço do contágio. 

Assim, as bolsas europeias também amargaram forte queda. Londres, liderou as perdas do dia, com retração de 3,79%. Paris teve retração de 3,32%. Madrid, fechou negativada em 3,31%. Frankfurt, teve queda de 2,10% e Milão, regrediu 1,09%.

Brasil: Ata do Copom, varejo e confiança do consumidor

O Banco Central, divulgará a ata da reunião do comitê te política monetária. A ata contém os principais pareceres do comitê em relação aos rumos da economia e as motivações que resultaram em mais um corte nas taxas de juros. 

Apesar de já serem sabidos os motivos que levaram ao corte na taxa Selic e muitos agentes já terem uma noção quase clara do parecer do comitê devido à intensidade e proporção que a crise em torno do covid-19 vêm tomando no país e no cenário internacional, é importante acompanhar de perto o que se passa na mente dos policy makers, inclusive, para ter ideia de quais serão o rumo que a política monetária tomará. 

A FGV divulgará o indicador que mede as expectativas do consumidor para o mês de março. Dado o cenário atual, espera-se que o consumo seja fortemente afetado. Apesar de uma alta imediata por conta do fortalecimento da demanda, o consumidor deve olhar para o presente cenário e para o futuro com incerteza e desânimo, tendo em vista o potencial impacto da pandemia já instaurada no Brasil. 

Ainda pensando na variável consumo, também será divulgado o índice de preços do varejo. Contudo, como o indicador mede a elevação dos preços do mês de janeiro, ele deve ter pouco efeito, tendo em vista que o agravamento da crise do covid-19 mudou completamente o cenário de forma rápida e abrupta. 

Pronunciamento de James Bullard, indicadores de atividade e setor imobiliário

James Bullard, presidente do FED de St Louis, ficou em evidência, após anunciar que a economia americana poderá sofrer com um desemprego de 30%, trazendo mau humor para os mercados. 

Como o economista é membro do FOMC, o equivalente ao COPOM no Brasil, seu parecer em relação à economia americana é de suma importância para entender a visão dos formuladores de política em relação à economia. 

Além do pronunciamento do membro do FOMC, os dados de atividade econômica divulgados pela agência Markit para o mês de março evidenciarão, em certa medida, o quanto a economia americana vêm retrocedendo no que diz respeito à produção de bens e serviços. 

Ainda, será divulgado os dados de novas casas para o mês de fevereiro. O indicador é importante para medir o quanto o mercado imobiliário está a avançar. Muito provavelmente, o dado também venha com queda, dado que as empresas e famílias deverão reduzir seu consumo de longo prazo, tendo em vista que o cenário é opaco. 

Índices de atividade na Europa

Tal qual nos EUA, serão divulgados os PMI’s na Europa. Os indicadores, muito provavelmente ficarão muito abaixo dos 50 pontos, a média aceitável para que não seja considerada uma recessão no país. 

Como a crise oriunda do covid-19 ataca a demanda e a oferta simultaneamente, pois com a diminuição na renda decorrente da desaceleração econômica, há queda na demanda, gerando um impacto de ordem recessiva na economia. Do lado da oferta, por conta do lockdown, muitos setores serão fechados por algum tempo, restringindo a oferta e produção de bens e serviços. 

O indicador, como os demais dados de conjuntura econômica, somente terão dados positivos após a crise. Todavia, o efeito da melhora não será imediato, tendo em vista os números de países que, teoricamente, já controlaram o surto.

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