Nova Futura Investimentos 25 de junho de 2020 7 minutos lendo
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Pedidos por seguro desemprego, PIB e outros indicadores de atividade

25 de junho de 2020   -   7 minutos lendo

Ontem (24), mediante o receio crescente em relação à segunda onda de covid-19 nos Estados Unidos e, com certa possibilidade, na Europa e na Ásia, os mercados fecharam em queda em todo mundo.

As bolsas nos Estados Unidos reagiram mal ao aumento no número de casos de covid-19 no Texas, Flórida e Califórnia, forçando o fechamento de mais lojas da Apple.

 Além disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI), em seu relatório para o mês revisou as perspectiva de crescimento econômico para o mundo evidenciando que a retomada econômica será mais difícil do que a maioria do mercado imaginava, o PIB da economia americana foi revisado ter queda de 8%, tal qual o indicador para as economias avançadas. Queda no PIB global, segundo o FMI será de 4,9% em 2020.

Internacionalmente, as tensões comerciais entre os Estados Unidos e EU (União Europeia) se ampliam com a possiblidade de haver novas tarifas para produtos europeus.

O Dow Jones teve retração de 2,72%. O S&P 500 perdeu 2,56% e a Nasdaq caiu 2,19%.

O VIX com o aumento das incertezas em relação à segunda onda de covid-19, teve aumento de 8,83%, cotado a 31,77 pontos.

A Europa, apesar dos dados de expectativa em relação à economia divulgados pelo instituto Ifo da Alemanha terem alcançado resultados melhores que o esperado, os agentes seguiram o mau-humor internacional em relação ao ressurgimento de casos de coronavírus na Ásia e nos Estados Unidos.

A tensão comercial também gerou impactos negativos com a possível restrição a produtos europeus como cerveja, caminhões e gim por intermédio de tarifas não agradou os europeus a medida em que se aproxima o novo USMCA (tratado Estados Unidos-México-Canadá), onde os EUA pretende repor as tarifas de alumínio ao Canadá.

Além disso, as perspectivas do FMI, nada animadoras, fez com que os agentes ponderassem sua decisão de investimento.

Frankfurt e Milão desempenharam as maiores quedas do continente, com retração de 3,43% e 3,42% respectivamente. Madrid perdeu 3,27%. Londres caiu 3,11% e Paris teve redução de 2,92%.

No Brasil, o mercado seguiu o ânimo dos mercados do hemisfério norte, uma vez que os investidores internacionais fugiram dos ativos de risco, incluindo as ações de mercados emergentes.

As perspectivas do FMI para o país pioraram muito. No mês passado, a organização previa queda 5,3% para a economia brasileira ao final do ano. Ontem, em seu relatório, o fundo informava queda de 9,1% do PIB em 2020. A piora nas expectativas se deve, principalmente, ao fato do país ter menos dinamismo no combate da crise em relação a outras economias, que também tiveram piora nas expectativas de crescimento.

Apesar de toda atmosfera negativa, a votação do novo marco do saneamento básico pode trazer bons resultados, caso seja aprovado como defende o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), relator do marco legal. Caso seja aprovado, gerará mais competição no mercado de saneamento, além de gerar muitos empregos e melhorias para a infraestrutura do país.

O Ibovespa teve queda menos acentuada em relação as demais bolsas globais, com retração de 1,66%, fechando a sessão em 94.377 pontos.

O dólar comercial, com o aumento do risco percebido internacionalmente, teve elevação de 3,33%, cotado a R$ 5,32.

O dia também foi pouco animador para o mercado de petróleo. A perspectiva de queda no crescimento econômico global, o qual gera retração na demanda pela commodity, alinhada ao aumento nos estoques de petróleo bruto nos Estados Unidos, derrubou os preços.

O Brent derreteu 5,75%, cotado a US$ 40,31 o barril e WTI teve retração de 5,84%, fechando a sessão cotado a US$ 38,01 o barril.

EUA: pedidos por seguro desemprego, PIB e outros indicadores de atividade

Hoje (25), a agenda de conjuntura econômica dos Estados Unidos está cheia, a evidenciar de forma mais consistente o quanto a economia americana está a se recuperar da pandemia após a reabertura.

Começando pelo mercado de trabalho, o US Departament of Labor, como ocorre toda quinta-feira, divulgará os pedidos por seguro desemprego.

Os pedidos iniciais pelo benefício, tende a cair conforme várias regiões são reabertas e os negócios voltam a funcionar, de modo que o mercado espere queda de aproximadamente 14% saindo de 1.508 milhões de pedidos e alcançando 1.300 milhões.

Conforme a economia volta a funcionar os pedidos contínuos, o qual leva em consideração a demanda pelo benefício após os pedidos iniciais também tem perspectiva de queda, saindo de 20.544 milhões para 19.968 milhões.

Assim, a queda no nos pedidos iniciais por seguro desemprego não está caindo apenas por ser uma variável de estoque, mas também por menos indivíduos estarem a demandar o benefício por estar encontrando novos empregos.

Indo para os indicadores de atividade, o PIB Trimestral será publicado pelo Bureau of Economic Analysis, mostrando para o mercado e para sociedade os impactos da crise na economia americana.

A expectativa é de que o indicador repita nova queda nos últimos três meses, tendo retração de 5,00%.

Tal perspectiva negativa se deve a queda na renda dos agentes a gerar forte retração no consumo das famílias, variável que possui grande participação no PIB americano, haja vista a força do mercado interno do país.

Além disso, os efeitos negativos da pandemia, a afetar o lado da oferta, comprometeu fortemente a produção de bens e prestação ode serviços, contribuindo para queda na taxa de crescimento do PIB.

Paralelamente, seguindo a mesma lógica, o Bureau também divulgará o Índice de Preços do PIB para o trimestre.

O indicador se refere à variação de todos os bens e serviços incluídos na contabilização do PIB.

A expectativa para o indicador também é de queda, seguindo a mesma lógica do próprio PIB no que diz respeito à queda na demanda por bens e serviços advinda dos efeitos da pandemia do covid-19.

Assim, o mercado espera que tais preços tenham variação de 1,4% contra 1,8% da última observação.

Olhando pelo lado da demanda, o Census Bureau divulgará a variação do valor nas encomendas de bens duráveis, tal como o seu núcleo, o qual desconsidera bens ligados ao setor de transportes.

Como o indicador se refere ao mês de maio, quando as economias no hemisfério norte começavam a ser reabertas e as expectativas dos agentes em relação à economia começava a melhorar, a esperança do mercado é de elevação em ambos indicadores, pois os agentes com caixa, aproveitam o fundo da crise para adquirir bens e ativos a preços mais baixos.

Desse modo, espera-se que os Pedidos Por Bens Duráveis tenham variação de 10,9% em maio, contra retração de 17,7%. Quanto ao núcleo, há elevação a expectativa é de aumento de 2,5% contra contração de 7,7% na observação imediatamente anterior.

Olhando pelo lado do consumo, complementando a análise, os estoques do setor varejista, podem ter aumento em maio, com a perspectiva de aumento do consumo, uma vez que a economia começava a ser aberta.

A esperança do mercado, é que os estoques tenham aumento de 4,9% contra queda de 3,7% no mês anterior.

Além dos dados de conjuntura econômica, membros do FOMC (Bostic e Kaplan) farão seus anúncios a demonstrar suas perspectivas em relação à economia americana e os possíveis impactos da segunda onda de covid-19.

Europa: discursos de membros do BCE e clima do consumidor na Alemanha

Na Alemanha, o instituto GfK divulgará o Clima do Consumidor alemão para o mês de julho, a demonstrar as expectativas dos consumidores para o mês referido.

O índice é baseado em uma pesquisa com aproximadamente 2.000 consumidores e busca prever os gastos com consumo, sendo uma importante variável para prever a demanda da economia alemã.

Apesar da reabertura da economia alemã, a expectativa do mercado é de que o indicador continue no negativo, apesar de apresentar melhora, saindo de -18,9 em junho, para -12 pontos em julho.

O fato da renda das famílias ainda ter se recuperado totalmente e o fato de ainda haver receio por parte delas para aumentar os gastos são os principais fatores para que o indicador continue negativo.

Tal qual nos EUA, membros da principal autoridade monetária da região, o BCE (Banco Central Europeu), farão pronunciamentos, evidenciando suas expectativas e possiblidades de políticas a serem adotadas para contribuir para o retorno da economia e para combater uma possível segunda onda pandêmica de covid-19.

Brasil: Inflação – IPCA-15

No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará um dos mais importantes indicadores que antecedem o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

O índice abrange o dia 16 do mês anterior ao 15 do mês de referência para famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos para 11 áreas urbanas.

Devido à queda na atividade econômica evidenciada por outros indicadores antecedentes e, inclusive, pela Ata do Copom. Os efeitos do covid-19, fez com que muitas famílias perdessem sua renda uma vez que boa parte da força de trabalho brasileira é, predominantemente ligada as atividades de baixa complexidade e/ou informais, sendo mais suscetíveis às medidas de isolamento social.

Assim, o mercado espera que o indicador continue em queda, saindo de -0,59% em maio e alcançando -0,08% em junho ao mês. Ao ano, a perspectiva é de que o indicador saia de 1,96% e alcance 1,85%, evidenciando uma desaceleração.

Caso a inflação continue a se distanciar ainda mais da meta e a atividade econômica continue declinante, o espaço comentado na ata do COPOM para os cortes na taxa de juros, poderá ser concretizado.  

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