Nova Futura Investimentos 15 de setembro de 2020 4 minutos lendo
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IBC-Br de julho apresenta resultados abaixo do esperado

15 de setembro de 2020   -   4 minutos lendo

O Bacen (Banco central do Brasil) divulgou um dos principais dados antecedentes ao PIB (Produto Interno Bruto), o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Brasil).

O indicador busca medir a evolução da atividade econômica do país, de modo a contribuir para as expectativas dos agentes. Além disso, é uma variável utilizada para o Banco Central definir sua política monetária, como já abordamos em alguns de nossos textos Política econômica em tempos de crise: política monetária (QE) e FED: conheça uma das instituições mais poderosas do mundo os bancos centrais em todo mundo levam consideração os níveis de atividade econômica e de inflação para tomar suas decisões.

Como o índice possui frequência mensal, ele evidencia também a trajetória da atividade econômica. Tentando assim, projetar o resultado do PIB e o desempenho da economia ao longo do tempo. Dessa forma, é possível considerar que o indicador do Banco Central supre, de certa forma, a lacuna dos dados de atividade econômica, tendo em vista que o PIB só é apresentado trimestralmente.

Desempenho

Os dados atuais, revelam que a economia alcançou avanço de 2,15% no mês de julho, quando comparado com mês de junho. Todavia o avanço ficou aquém do esperado. Pois o consenso do mercado projetava elevação de 3,40% de acordo com o site investing.com. Segundo as perspectivas do BroadCast, a mediana ficou em 3,30% de avanço.

Observando a média móvel de três meses, o IBC-Br, atualmente, está no mesmo nível registrado em 2009. Ou seja, os ganhos conquistados pela economia brasileira durante todo o período (2009 e 2019) foi perdido ao longo da crise do covid-19:

Impacto dos serviços

O número aquém do esperado se deve, em grande medida a retomada heterogênea da economia, como é possível observar nos demais indicadores de atividade econômica. Apesar da produção industrial e do varejo estarem a crescer, o setor de serviços, o qual representa mais de 75% de participação da economia brasileira apresentou fraco crescimento em julho, com avanço de 2,6% em julho, contra expectativas de 3,1%. Ao ano, o indicador registrou retração de 11,9%, ante projeções de queda de 10,4%.

Mercado Financeiro

Os efeitos de um indicador de atividade econômica, por vezes não é sentido pelo fato de os agentes já terem embutido as perdas no preço e estarem dando mais importância para as perspectivas futuras de crescimento da economia.

Contudo, em longos períodos de queda da economia o mercado pode apresentar queda no desempenho dos ativos. Isso ocorre porque a taxa de crescimento das empresas tende a taxa de crescimento do produto (PIB) o qual também é capitado pelo IBC-Br.

Tendo em vista que o crescimento econômico depende do consumo e do investimento, a economia, a queda nessas variáveis também geram queda nas receitas das companhias e, consequentemente das receitas, pois um cenário que deixe os agentes avessos ao investimento, as empresas tendem a não varia seus estoques impactando os fornecedores e toda a cadeia econômica gerando, inclusive desemprego. Pelo lado da demanda, a queda no consumo, faz com que as famílias comprem menos produtos das companhias.

Dessa forma, o valuation, isto é, o valor das ações das empresas sofre redução conforme a fórmula abaixo:

Onde:  = taxa de juros, = taxa de crescimento e  o fluxo de caixa da companhia.

Ações

Logo quando há uma queda forte na atividade econômica, o mercado de ações, ao menos em um primeiro momento, tende a ter retração. Tal fenômeno econômico pode ser evidenciado pelo gráfico abaixo:

Ibovespa e IBC-Br

Como fica evidente no gráfico, em momentos crise como ocorreu em 2008 por conta da Crise do Subprime, entre 2014 e 2016, com a crise do governo Dilma Rousseff e, atualmente, com a crise ocasionada pelo novo coronavírus, tanto a atividade econômica captada pelo IBC-Br, quanto o Ibovespa, principal índice de ações brasileiro, tiveram queda em todos os períodos.

Ademais, como os preços incluem as expectativas dos agentes em relação ao cenário futuro, o período de 2017 até o começo de 2020, mesmo que o IBC-Br continuasse quase estável, a registrar um crescimento muito fraco, o Ibovespa subiu fortemente, pois houve cortes nas taxas de juros para tentar estimular a economia e expectativas foram criadas pelo fato dos governos subsequentes adotarem posturas mais firmes quanto a manutenção do teto de gastos com a estabilidade fiscal do país, o que diminui o risco percebido.

Uma vez que a economia, apesar de evidenciar recuperação mais rápida do que o esperado no início da pandemia, o cenário ainda é desafiador, conforme foi demonstrado pelo IBC-Br de ontem. Esse dado corrobora para a manutenção da taxa de juros em níveis baixos e para a manutenção do tom cauteloso por parte do Banco Central.

Quanto ao mercado financeiro, os grandes players e investidores consideram retomada da economia brasileira, mas ainda ponderam os possíveis riscos fiscais e os eventos externos que podem impactar o mercado.

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