Nova Futura Investimentos 19 de janeiro de 2021 7 minutos lendo
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A importância dos números da China

19 de janeiro de 2021   -   7 minutos lendo

Quem acompanha o mercado, mesmo que tenha começado recentemente, talvez tenha percebido a importância dos dados econômicos divulgados pela China. É muito comum que, em um dia de dados econômicos positivos do país, o mercado suba e que algumas ações ou setores específicos tenham certo destaque. Em uma economia globalizada, levando em conta que a China é a segunda maior economia do mundo e é a que possui o maior crescimento global ao longo dos últimos anos, sendo um dos principais importadores e exportadores.

Características

A China é o país com a maior população do mundo, com 1,4 bilhão de pessoas. Tendo em vista que a população do planeta é de 7,7 bilhões segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Isso significa que 1 em cada 7 pessoas no mundo são chinesas. O tamanho da população implica em um mercado consumidor pujante e um elevado número de pessoas para produzir.

Assim, com uma economia em crescimento e um número elevado da população, o país tende a demandar muitos produtos que vão de serviços sofisticados e eletroeletrônicos até produtos agrícolas. Outro ponto que deve ser levado em consideração é a extensão territorial. Sendo o terceiro maior país do mundo, com 9,70 milhões de quilómetros quadrados. A localização geográfica do país também é privilegiada. Estando na Ásia Meridional, a China tem acesso ao forte fluxo de comércio da região. Além disso, sua costa leste está direcionada para o Oceano Pacífico.

Economia

Na década de 80 o país começou a evidenciar forte crescimento econômico de forma sustentável, superando muitos do ocidente e outros países economicamente competitivos como Alemanha e Japão. Após a Queda do Muro de Berlim e o desgaste do modelo soviético, a China deu um passo à modernização após a morte de Mao Tse-Tung, que já deixara parte do caminho pavimentado com os camponeses tendo direito a propriedade, Deng Xiaoping ascendeu ao poder, abrindo a economia para países que outrora eram vistos como inimigos, no caso, os Estados Unidos e Japão.

A abertura da economia do país para as indústrias multinacionais foi atraente para ambos os lados. Enquanto os países desenvolvidos buscavam custos de produção mais baixos, devido aos baixos salários, os Chineses precisavam das companhias no país para gerar empregos e montar uma planta produtiva. Além disso, faltava investimento estrangeiro direto, para contribuir com o crescimento econômico e transição de uma economia agrária para uma economia industrializada. As mudanças na lei, facilitaram a possibilidade da criação de companhias pela iniciativa privada.

Planejamento econômico

Apesar do comunismo tradicional não existir mais, o planejamento econômico permaneceu no país. Por intermédio de políticas de planejamento de crescimento e medidas de condução da economia que são chamados de Planos Quinquenais com as perspectivas de como o governo conduzirá os negócios e em quais áreas dar maior atenção desde questões climáticas até planos de infraestrutura. Assim, analogamente com que aconteceu com países como Japão e Coreia do Sul que tiveram um crescimento e desenvolvimento tardio, a China se posicionou estrategicamente, aproveitando as oportunidades concedidas por uma economia de mercado, aliado ao planejamento estratégico do governo.

Desse modo, a economia Chinesa possou a uma das que mais crescem no país. Como o país ficou acabou sendo a fábrica no mundo exportando vários bens intermediários para produção de outros bens e fornecimentos de produtos. Um dos exemplos mais nítidos da dependência que o mundo tem da economia chinesa foi a pandemia da COVID-19, quando a oferta ficou comprometida uma vez que a Ásia ficou paralisada por conta do avanço do vírus. Outro fator, foi a queda nas exportações do restante do mundo, tendo em vista o tamanho do mercado consumidor chinês e o fato da economia ser a segunda maior do planeta, causando forte impacto na economia global.

Fonte: Atlas of Economic Complexity, Havard University

Exportação

Como é possível ver no gráfico acima, a pauta exportadora da China é diversificada. Ela tem foco na indústria têxtil, eletrônicos e maquinário. Além de também ter forte presença no setor químico. Como vários componentes necessários para a produção de outros produtos dependem dessa indústria o mundo fica, de certa forma, rendido no caso de uma crise no país. O que fez líderes de todo mundo repensarem o processo de globalização, no que diz respeito à centralização conforme está no texto do blog da Nova Futura “Retrocesso da globalização ou reestruturação?”.

Brasil:

Para a economia brasileira, a parceria com a China é extremamente importante. Os chineses são os maiores parceiros comerciais do Brasil, cujas exportações destinadas para o país tenham sido de 32,26% durante o ano de 2020 conforme pode ser visto no gráfico abaixo:

Fonte: Ministério da Economia, elaboração própria.

Como o Brasil é um grande exportador de commodities, a China acaba sendo um dos principais destinos de produtos agrícolas, proteína animal e de produtos necessários para a indústria de base, como é o caso do minério de ferro. Um dos momentos recentes, além da pandemia, em que foi possível verificar impactos da economia chinesa no Brasil, e em outros países com características análogas, foi os picos dos ciclos das commodities como correu nos anos 2.000, principalmente na segunda metade da década. O crescimento econômico da China, demandando minério de ferro por conta do aumento da industrialização e investimentos em infraestrutura e o aumento na demanda por alimentos favoreceu as exportações brasileiras e de outros países.

Mercados Financeiros:

Haja vista as informações acima, é possível entender que tudo que acontece com o país gera impactos no mercado financeiro. Ontem (18), o Escritório Nacional de Estatísticas da China divulgou os dados do PIB anual (+6,5%) e trimestral (+2,6%), Investimentos em Ativos Fixos Anual (+2,9%), Produção Industrial Anual (+7,3%) e das Vendas no Varejo Anual (+4,6%). Os dados foram positivos para o mercado, gerando valorização de companhias como Vale (VALE3), CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4). O minério de ferro fechou em alta, tal como o cobre negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex).

O crescimento da economia chinesa, como vimos tópico acima, leva perspectivas positivas de crescimento econômico para os agentes, dado que boa parte das exportações brasileiras dependem das exportações da China e, o efeito é parecido em outros países.

Impactos no mercado

Todavia, os impactos da China no mercado, não dependem somente de números de atividade econômica. Apesar do país apresentar crescimento econômico e ter aberto sua economia para o mundo, não deixa de ser uma tirania. Desrespeitando as liberdades individuais, de consciência, política e religiosa. Fazendo com que algumas empresas parem de produzir no país. Um dos casos mais recentes, foi a questão da lei de extradição a ser imposta à Hong Kong.

Países como EUA e Reino Unido, criticaram fortemente a violação aos direitos humanos que poderiam ocorrer na ilha. Os protestos por liberdade política em Hong Kong começaram em 2019 e se mantiveram ao longo de 2020. O país também se envolve em outras polêmicas como as questões referentes à propriedade intelectual, espionagem e medidas agressivas referente à soberania nacional de seus vizinhos como ocorrera com a Índia e outros países do Mar do Sul da China, com Pequim reivindicando a região para si, ultrapassando medidas adotadas por trados internacionalmente reconhecidos.

Turbulências nos mercados

Tais ruídos na esfera geopolítica acabam por gerar turbulências nos mercados. Pois qualquer medida de afastamento da China, pode significar diminuição do fluxo de comércio global. Como consequência, menor atividade no mercado de capitais.

A visão economicista que acreditava que a abertura da economia chinesa resultaria no fim da ditadura do PCC (Partido Comunista Chinês) e em uma sociedade aberta e liberal, não se concluiu. O que acaba por gerar os ruídos políticos citados acima. Contudo, o poder econômico que o país adquiriu, faz com que tenha forte peso em órgãos multilaterais. Assim a China acaba sendo não apenas fonte de oportunidades, mas também de riscos para o ocidente. A demonstração desses riscos é a possiblidade de Joe Biden, mesmo que com outra abordagem, possa permanecer com os atritos entre EUA e China.

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Autor: Matheus Jaconeli

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