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Os desafios para Joe Biden

12 de janeiro de 2021   -   6 minutos lendo

Após uma das mais esperadas e, para alguns, emocionantes dos últimos tempos, o Partido Democrata ganhou as eleições. A chapa formada por Joe Biden e Kamala Harris, venceu a situação formada por Donald Trump e Mike Pence. A vitória nas eleições como um todo, incluindo a Câmara e o Senado, superaram as expectativas, gerando uma “Onda Azul” no ambiente político americano, de modo que a maioria das pautas propostas por Biden não tenham muitos entraves para serem aprovadas.

Dentre essas medidas, se destacam os pacotes de estímulos à economia que podem chegar a trilhões de dólares, a agenda em torno de políticas pró-clima, como a diminuição das emissões de carbono e outras pautas defendidas por democratas. No entanto, o presidente democrata está com um país que passa por crise sanitária e econômica.

Economia

Uma crise está totalmente ligada a outra. Pois, os principais problemas atuais estão ligados a pandemia da covid-19. O fechamento do comércio e de estados inteiros, fizeram com grande parte dos negócios falissem, colocando centenas de americanos nas ruas.

As medidas realizadas por parte do FED, não foram suficientes para amenizar os impactos do atual momento. Isso fez o lado fiscal agir de forma conjunta com a monetária, após a resistência de Steven Mnuchin. Mas, mesmo assim, a economia americana pode continuar com cicatrizes profundas da crise. Não obstante, todos os esforços econômicos que devem ser realizados sem os entraves republicanos que poderiam acontecer sem a “onda azul”.

joe biden

O dado mais importante referente à criação de empregos nos Estados Unidos, mostra o quanto a economia americana continua fragilizada. Recebendo impacto do desemprego que persiste, principalmente no que diz respeito aos setores mais frágeis da economia.

Outro indicador importante para verificar a fragilidade do mercado de trabalho, é a quantidade de pessoas que continuam demandado auxílios para que consigam sobreviver:

Covid-19

Mesmo que muitos estímulos sejam feitos e já exista um calendário de vacinas, o avanço da COVID-19 no país ainda pode trazer turbulências. Fazendo com que Biden e sua equipe tenham de apagar alguns incêndios no começo do mandato democrata. Corroborando para o argumento de Jerome Powell, presidente do FED, sobre a necessidade de mais estímulos.

O mercado financeiro, olha tais estímulos de forma muito positiva, abrindo oportunidades de investimentos, principalmente em mercados emergentes. Contudo, o risco em torno dessas políticas, são alertados por alguns economistas como John H. Cochrane, pesquisador associado do National Bureau of Economic Research e do Instituto Hoover da Universidade de Stanford.

A possibilidade de taxas de crescimento econômico baixas e outros fatores, pode gerar consequências desastrosas para a economia, conforme John H. fala em um artigo intitulado “Debt denial”. Nesse caso, entra também a teoria de James M. Buchanan, evidenciando que o governo pode aumentar sua utilidade, já pensando em uma aprovação, não apenas no agora, mas em sua popularidade e possível recandidatura.

Relações Internacionais

O campo da diplomacia também exige cuidado mesmo na administração de Biden. Apesar do perfil diferente ao de Trump, a crise diplomática com a China e Rússia, continua sendo um ponto de fragilidade para o governo americano. A China será o primeiro país a ter sua economia recuperada após a crise e expande fortemente sua influência ao redor do mundo.

Isso não significa apenas a expansão econômica de um país, mas, também, ganho de espaço e influência em todo mundo. O país oriental tem expandido sua influência, vendendo ao mundo um possível modelo de como fazer economia após a crise.

Não raro, muitos professores em universidades pelo mundo, inclusive no Brasil, têm colocado o modelo chinês como um dos mais eficientes do mundo. Liu He, Vice-premier do Conselho de Estado da República Popular da China, diz que o país não abrirá mão de seu modelo liderado pelo aparelho estatal. Além disso, afirmou que a economia do país será a mais forte do mundo. Como oportunidade para o democrata, a reaproximação dos Estados Unidos com parceiros como a União Europeia e o retorno à política mais abrangente com Irã, como foi com Obama, pode aliviar algumas pressões da agenda internacional do governo democrata.

Cenário Internacional

Por outro lado, países como Brasil, Polônia e Hungria, podem perder fortemente sua representatividade no cenário internacional. No caso de Trump, o republicano estava mais alinhado com as ideias dos presidentes dos países citados. sem se opor à condução da política ambiental e outras pautas progressistas, que são defendidas por Biden e a maioria dos membros da União Europeia. Como tais países não podem gerar grandes problemas como os do Oriente Médio, terão de dançar conforme à música, o que acaba sendo uma oportunidade para Biden.

Um país, duas visões

A vitória de Biden nas três instâncias do poder, não mostra a situação atual do país. No dia da posse de Biden, manifestantes mais radicais invadiram o Capitólio, discordando da legitimidade da candidatura do democrata. Além disso, muitos manifestantes pró-Trump, fora do capitólio também mostravam apoio ao republicano e renúncia de Biden. Os atos resultaram, inclusive, em um tiro à queima-roupa que levou uma manifestante à morte.

A situação é uma imagem da divisão em que a maior democracia do mundo se encontra. Apesar dos negros, latinos e imigrantes ainda votarem maciçamente em democratas, as últimas eleições mostraram elevação nos números de pessoas desses grupos votando no partido republicano. Evidenciando assim, que a hegemonia democrata focada em determinados grupos da sociedade americana pode não ser mais uma regra. Como exemplo, grupos como Black Conservatives for Truth e pessoas influentes como Cadence Owens, Ben Carson e J. Kenneth Blackwell, entre outros. Tal mudança está muito relacionada com o perfil ideológico de muitas dessas pessoas.

Mudança de cenário

Segundo a Pew Reasearch, em uma pesquisa feita em 2019, 49% dos negros se opõem ao casamento de pessoas do mesmo sexo, enquanto os 32% dos brancos mostram tal comportamento. Além disso, também há grandes grupos negros anti-aborto, tal como latinos. Tendo em vista a participação de conservadores em grupos que eram foco dos democratas. Obama chegou a criticar latinos cristãos que votaram em Trump, afirmando que essas pessoas se importam mais com tais questões do que com os problemas imigratória ou, até mesmo, a política assistencial. Essa mudança de perfil em parte das minorias, pode ser um entreve para a governabilidade de Biden. Considerando que o próximo presidente venceu as eleições com o argumento de unir o país.

Apesar dos aspectos econômicos e diplomáticos serem os principais vetores de risco para os mercados, a divisão dentro dos Estados Unidos, também pode impactar negativamente o mercado. Todavia, o pragmatismo americano em relação as condições econômicas do país, mediante a um pacote de estímulos que pode fazer a economia americana voltar a crescer, os receios da população que se opõe a Biden, podem ser arrefecidos, o que é uma oportunidade para o ex-presidente de Barack Obama.

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Autor: Matheus Jaconeli

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