O futuro do Ibovespa abriu com alta de 500 pontos, seguindo muito mais o futuro do S&P500 (+0,5%) do que o mercado europeu e as notícias domésticas, nada positivas para reforma da previdência e para a cessão onerosa. É possível que esses dois eventos já tenham sido precificados nos pregões anteriores, aliviando a pressão sobre todos os ativos domésticos, incluindo o real, que está subindo em relação ao dólar (-0,31%). Mas a reação do mercado ainda pode estar subdimensionada.

            As agências de notícias informam que o futuro ministro da economia, Paulo Guedes, e o atual ministro da fazenda, Eduardo Guardia, abandonaram a estratégia de votar a cessão onerosa ainda esse ano. A equipe de Paulo Guedes, ainda dividida sobre a questão, tem alternativas diferentes para realizar o megaleilão dos excedentes do pré sal e algumas delas podem ser não tão positivas para os acionistas da Petrobrás. Além dessa notícia negativa, as ações da Petrobrás ainda vão ficar dependendo do comportamento dos preços internacionais do petróleo, que vão ser afetados pelos estoques dos EUA, que só saem amanhã, e pela reunião do OPEP, que pode decidir por um novo corte da produção, também amanhã.

            O presidente Bolsonaro sinalizou que estuda fazer a reforma da previdência de forma fatiada. Primeiro aumenta gradativamente a idade mínima, com diferenciação para homens e mulheres, começando com um pequeno aumento de dois anos. Segundo o presidente, esse seria um caminho “menos difícil” para a reforma. O mercado, no entanto, deve considerar essa estratégia prejudicial ao seu cenário principal para reformas. É provável que o mercado considere esse plano decepcionante.

            No exterior, o ministério chinês confirmou a que a proposta de trégua na guerra comercial EUA x China será respeitada, com aumento de importações. Esse sinal é positivo e reduz os estragos feitos ontem pelas declarações de Trump, n o sentido de endurecimento, mais uma vez. Os mercados derreteram pós o presidente dos EUA tuitar declarações duras em relação à sua política de comércio, chegando a se autodenominar “tariff man”. O índice Nasdaq caiu quase 4% e o S&P 500 fechou com uma queda de quase 100 pontos em relação ao fechamento de segunda-feira. A volatilidade medida pelo índice VIX subiu para 21%, sinalizando uma nova rodada de elevação da aversão ao risco.

            A curva dos juros americanos continua achatada, com o diferencial dos juros de dois e dez anos dos títulos do tesouro batendo 15 pontos. O mercado considera elevada a chance de uma recessão. Quanto mais o mercado reage à queda dos juros longos, mais aumentam os temores de uma recessão, mais caem os juros longos, mais a curva fica achatada. Essa trajetória de percepções que se autorreforçam deve continuar a abalar a confiança dos mercados globais. A divulgação dos dados do mercado de trabalho dos EUA, amanhã (ADP) e sexta (payroll), pode atenuar esse movimento, com dados mais fortes na contratação de pessoas e de salários em novembro. Com os juros das treasuries de dez anos próximos a 2,90%, é provável que o diferencial tenha atingido seu mínimo.

            A tendência do mercado no pregão de hoje é de movimento reduzido, por conta do feriado nos EUA. A abertura positiva, diante do cenário mais nebuloso, diverge da tendência esperada em função dos cenários externo e doméstico.

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