Quando nos vemos como agentes econômicos, nos vemos como indivíduos que procuram maximizar o bem-estar com o menor esforço possível. Isso é quase tudo de importante que podemos dizer sobre economia e finanças. Se as empresas procuram maximizar seus lucros – que devem ser suficientes para atender às demandas dos fornecedores, credores, funcionários e acionistas – nós devemos satisfazer as nossas demandas como consumidores a partir de nossos esforços, que são um custo. E essas demandas variam muito em sua composição – entre bens de consumo de primeira necessidade, bens culturais, de lazer, etc – e em termos de sua distribuição no tempo. Por sermos “agentes econômicos”, espera-se que escolhamos a maior quantidade possível de bens e serviços à nossa disposição ao longo de toda a vida, com o menor esforço possível.

Dessa forma, escolhemos não apenas a melhor combinação de bens que irão produzir a máxima satisfação hoje, mas a melhor combinação de bens que serão consumidos ao longo de uma escala de tempo e que produzirão a maior satisfação possível. Esses “agentes econômicos”, que existem de alguma forma dentro de nós, produzem cálculos acerca das quantidades ideais de bens que serão consumidos hoje, no ano que vem, em 2025, ou nas próximas gerações.

Algumas vezes precisamos renunciar ao consumo de hoje para viabilizar o consumo lá na frente, porque a nossa renda pode ser menor ou porque, ao colocarmos a nossa renda disponível em alguma forma de poupança, podemos produzir quantidades maiores de satisfação nos próximos anos. Pense nas pessoas que compraram ações do Facebook. Quando lançadas, em 2012, as ações da empresa saíram a US$ 40 e hoje estão sendo negociadas a US$ 167. Levando-se em conta a inflação do período, um acionista que comprou Facebook no lançamento, compraria hoje cerca de quatro vezes mais bens do que comprava em 2012. Quase sempre essa conta pode ser feita diretamente e ela nos diz que renunciar ao consumo de alguns bens para adquirir títulos, ações ou outras formas de poupança, pode ser um bom negócio para aumentar nossa felicidade[1].

Temos, portanto, como agentes econômicos racionais, que realizar cálculos acerca da melhor forma de alocar nosso consumo e nossa poupança, não apenas entre uma cesta de bens, títulos e ações hoje, mas entre cestas ao longo de nossa vida.

Alocar entre consumo hoje e consumo no futuro depende, portanto, do equilíbrio entre nossa renda ao longo desse período, da nossa tolerância para abdicar do consumo hoje para beneficiar o consumo amanhã e, o que nos interessa aqui, da capacidade que a poupança feita hoje tem de aumentar nosso consumo total. Observe que a escolha dessa poupança deve ser compatível com a nossa tolerância à troca intertemporal e à tolerância ao risco de perdemos algum dinheiro (e dinheiro nesse caso é felicidade!). Afinal, toda decisão de poupança envolve o risco de errarmos na escolha, produzindo algum tipo de perda. Para escolhermos formas de poupança que equilibrem a segurança necessária para garantir o consumo futuro pela redução de nossa renda e formas de poupança que aumentem nosso consumo total, precisamos distribuir nossa renda entre formas de poupança que sejam compatíveis com essa necessidade de segurança e desejo de retornos mais elevados.

Tudo o que ouvimos acerca de investimentos nada mais é que um conjunto de variações acerca desse tema: como deslocar nosso consumo de hoje para o futuro da forma menos dolorosa e mais compensadora[2].

Nós desenvolvemos medidas para avaliar os retornos e os riscos dos ativos que são elegíveis para a poupança das famílias. A partir dessas medidas construímos relações entre os riscos e os retornos dos ativos, de sorte a permitir que as pessoas escolham suas alocações dentro de padrões compatíveis com suas expectativas, equilibrando suas ambições às suas necessidades de segurança. Já sabemos que os ativos menos arriscados, que têm seus preços e retornos mais estáveis, rendem menos que os mais arriscados. As causas dessa relação ainda são estudadas e há muito o que ser feito até que alguém diga que o assunto está encerrado. Mas o fato é que ativos mais arriscados tendem a apresentar retornos melhores.

Na sua escala de alocação, portanto, você pode considerar que ativos de Renda Fixa são menos arriscados e têm um retorno menor que os ativos de Renda Variável. Você escolherá a proporção da distribuição de ativos de Renda Fixa e de Renda Variável de acordo com seu apetite pelo risco e seu desejo de segurança[3].  Em geral as pessoas escolhem uma parcela maior de títulos de Renda Fixa e outra menor para ações de várias empresas. Uma pessoa poderia eleger sua carteira, ou portfólio, com 40% em títulos do governo, 30% em títulos privados e 30% em ações. Cada fração de alocação deve equilibrar-se de acordo com o perfil de riscos que o indivíduo possui.

A partir disso, resta saber como escolher as ações que você manterá na sua carteira ao longo da vida.

Sabemos, por pesquisas desenvolvidas ao longo de mais de cem anos de existência dos mercados de capitais, que as ações tendem a produzir resultados mais expressivos do que qualquer outro ativo disponível para alocar nossas poupanças. Elas representam a propriedade de empresas que têm por função maximizar seus resultados todos ano. Empresas como a Esso, a Microsoft, a Apple, o Banco Itaú, a Gerdau, e outras, começaram seus negócios como empresas pequenas e foram crescendo ao longo do tempo em função de seus resultados, até se tornarem as gigantes de hoje. Os acionistas cresceram junto com elas e isso se refletiu nos dividendos recebidos e no valor de suas ações, negociadas agora com preços algumas vezes superiores ao que eram anos atrás.

O valor das empresas cresce mais rápido que o PIB, que as taxas de juros ou que qualquer outra variável econômica. E isso acontece em média para as empresas negociadas em bolsa, com algumas oferecendo retornos superiores outros retornos inferiores. Essa diferença depende sempre da dinâmica de cada setor econômico e da gestão de cada empresa no sentido de reduzir os custos e aumentar a produtividade dos fatores.

Se levarmos em conta que você precisará deter ações em sua carteira por um longo tempo, o ideal é que você consiga capturar as empresas que estão nos setores mais dinâmicos[4] e que tenham a melhor gestão de negócios[5]. Para conseguir atingir essa meta você precisa de algum tempo na pesquisa das informações básicas de cada empresa e um modelo para definir o equilíbrio ideal na participação de cada uma em sua carteira. Esse tempo custa algum esforço e ele pode ser recompensado nos resultados que você terá com sua carteira.

Uma forma de escolher a sua carteira de ações pode ser com você mesmo fazendo esse trabalho, ou delegando a alguém a essa delicada tarefa. Eis aí a função das carteiras recomendadas que as corretoras e bancos disponibilizam todos os meses, ou semanas, para serem usadas no mercado. Elas resultam do esforço das equipes de pesquisas dessas instituições no sentido de proporcionar uma alocação eficiente entre diversas ações, tentando obter uma rentabilidade acima da média no médio prazo. Em geral as equipes são recompensadas se conseguirem bater o Ibovespa em um ano.

Aqui na Nova Futura Investimentos, a nossa carteira recomendada deu um retorno de 19,50% contra 14,50% do Ibovespa até o fechamento de 18 de agosto. Essa diferença, que é um excesso de retorno sobre a média de retornos no mercado acionário brasileiro, resulta dos esforços dos analistas da corretora para selecionar as ações de empresas que têm potencial de valorização mensal mais forte. Há meses nos quais o excesso de retorno é mais elevado, há meses em que é mais modesto. O que importa é fornecer uma proposta de investimento que permita ao cliente adquirir uma cesta de ações que atinja os objetivos que citei acima: um retorno que seja superior aos dos ativos de Renda Fixa, com o menor risco possível.

[1] Às vezes essa conta não é tão simples. Cada um de nós tem uma tolerância específica para adiar ou não o consumo. Essa tolerância, ou paciência, pode ser expressa em uma taxa de desconto para ser aplicada nos valores dos bens que serão consumidos ao logo da vida. Quanto mais tolerantes, ou pacientes, menos a taxa de desconto que aplicamos. A Teoria do Consumidor trata dessa questão de forma completa e indico o capítulo 10 do livro “Microeconomia” do Varian ou o capítulo 7 do “Advanced Macroeconomics” do Romer (bem mais difícil!).
[2] É evidente que a equação de bem estar é composta pela diferença entre o que ganhamos com nosso esforço, que tem um custo, e o que gastamos para adquirir os bens e serviços que irão satisfazer nossas necessidades. A poupança que fazemos é a diferença entre a nossa renda e o que gastamos com o consumo. Ela depende, portanto, do que ganhamos em nosso trabalho, dos tributos que o governo estabelece para a nossa renda e os preços dos bens e serviços. Aqui estamos falando apenas dos resultados de nossas escolhas a partir da poupança já efetuada. É claro que toda vez que a sua renda sobe, o seu bem estar total, independentemente de suas escolhas de alocação.
[3] As medidas de risco evolvem o tratamento que as oscilações de preços têm em determinado prazo de tempo e as possibilidades do credor dos títulos (governo para títulos públicos e empresas para títulos privados) dar um calote entre a data da compra do papel e o seu vencimento. Isso será tema de outro “post”.
[4] Empresas de tecnologia tendem a ser mais dinâmicas que empresas de geração de energia hidroelétrica por exemplo.
[5] Em geral as empresas que têm o governo como principal acionista têm uma governança pior.

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