Com a trégua acertada entre os EUA e a China, os mercados globais engataram o rally de fim de ano, que já estava prometido com a sinalização do FED de juros mais baixos. A tendência é que a tendência de alta da aversão ao risco seja interrompida, gerando fluxo para ativos de maior risco, como ações, títulos corporativos e papéis de emissores de países emergentes (ações, dívidas soberanas e corporativas).

            Os índices acionários globais estão em forte alta, com destaque para Xangai (+2,57%), Frankfurt (+2,45%) e para o Nasdaq futuro (+2,30%). As ações de tecnologia, cotadas no Nasdaq, tendem a se beneficiar mais da trégua, já que essa indústria se prejudicou com a elevação dos preços finais dos insumos importados da China.

            O petróleo voltou a subir, com o barril WTI sendo cotado a US$ 53,12 (+4,26%). Pesou, além da queda do dólar, o encontro de Putin com o príncipe saudita Mohamed Bin Salman, em Buenos Aires, no final de semana. A OPEP pode conseguir um compromisso de corte de até 1,3 milhões de bpd a partir de janeiro. A reunião do cartel será na quinta-feira, mas a sinalização de Putin foi positiva para o mercado. Após atingir o menor nível desde setembro do ano passado, o petróleo volta a prometer alguma valorização.

            Com a queda da aversão ao risco e a valorização global de títulos, ações e moedas, o mercado pode recuperar a esperança de uma economia global mais ativa em 2019, afastando os fortes receios de desaceleração que rondavam os horizontes de várias casas de análise até a semana passada. Juros mais baixos nos EUA e aversão ao risco menor, podem dar um impulso adicional à confiança dos agentes nesse final de ano.

            No Brasil, recebendo em cheio os impulsos deflacionários do dólar e das condições climáticas, o IPC-S da FGV derreteu, saindo de 0,48%, na semana terminada em 31/10, para -0,17% na semana terminada na sexta-feira. 30/11. Os principais impulsos vieram da alimentação, de 0,86% para 0,41%, habitação, de -0,06% para -0,94% e transportes, de 0,82% para -0,57%.

            É muito provável que, nesse ambiente de otimismo, o Ibovespa continue em um ciclo de altas que irá renovar os recordes sucessivamente, encerrando o ano em um patamar muito próximo aos 95 mil pontos.     

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