•                As bolsas globais voltaram a mergulhar após a prisão da CFO da Huawei no Canadá, por ordem do Dpto de Estado dos EUA. A tão esperada e anunciada trégua entre EUA e China parece ter sido enterrada nessa dura ofensiva do governo americano. Noriel Roubini já chama a guerra comercial dos EUA de Nova Guerra Fria. Essa queda dos mercados parece enterrar as chances de um vigoroso rally de final de ano, prometido como resultado da “trégua” de Trump e da perspectiva mais suave para a política monetária do FED.

•            Os futuros dos EUA mostram perdas de 2%, para o Nasdaq e de 1,7% para o S&P500. O mesmo movimento é feito nos mercados de moedas e de dívidas corporativas. O índice VIX subiu para quase 25% e confirma a corrida contra os ativos de maior risco. Dentro desse movimento, o achatamento dos yields das treasuries se intensificou e e o spread entre os títulos de 2 e 10 anos caiu de 42 bps para 13 bps. Os juros de 10 anos estão a 2,89%, refletindo o fluxo de compras motivado pela fuga de ativos mais arriscados. Se o mercado estava receoso com esse achatamento na segunda-feira, hoje terá ainda mais motivos.

•            Hoje a agenda dos EUA está repleta de dados importantes, como as vagas criadas em novembro, segundo a ADP Systems, salários e produtividade urbana, estoques de petróleo, PMI, encomendas à indústria e discursos de diretores do FED. Com a correria causada pela prisão da CFO chinesa, no entanto, esses eventos ficarão em segundo ou terceiro plano.

•            A reunião a OPEP, realizada hoje em Viena, não sinalizou, até agora, um corte convincente da produção. Como a produção subiu fortemente no mundo, com forte participação dos EUA, Arábia Saudita e da Rússia nesse novo excedente, o mercado não se equilibrará com poucos cortes. O barril WTI está caindo novamente, sendo negociado a US$ 51,55%, com queda de 2,5%.

•            O mercado doméstico reagiu com intensidade na abertura, com queda 1,3 mil pontos do futuro do Ibovespa e alta de 0,5% no dólar futuro. Os juros mais longos também subiram, com o jan/27 batendo 10,18% (+7 bps), apesar de todos os dados positivos em relação à inflação.  

•            A abertura dos negócios sinalizou mais uma queda forte da Petrobrás, que está sendo negociada a R$ 24,90, com queda de 2,60%. A petroleira deve continuar a sofrer com o desenvolvimento de um cenário adverso para os preços do petróleo e da votação da cessão onerosa. Nem um, nem outro, mostram sinais de reversão da tendência negativa. A reunião da OPEP, como dito acima, não sinalizou um corte suficientemente forte para deter a queda dos preços internacionais e a articulação política no Senado para realizar a votação da questão nesse ano ainda não resultou em algo efetivo. O que está segurando um pouco mais a confiança do mercado no papel, é a crença no novo plano de negócios e no potencial de geração de valor para acionista a partir do ano que vem.        

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