Nova Futura Investimentos 20 de junho de 2022 4 minutos lendo
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Mercados tentam se recuperar, mas há receios em relação ao crescimento global e Petrobras fica no radar interno

20 de junho de 2022   -   4 minutos lendo

Os mercados europeus fecharam em queda, mais uma vez com os investidores temerários com o avanço da inflação e perda de tração no crescimento da economia.

Tal temor ocorre de forma concomitante com os dados que vão sendo divulgados, após a alta de 7,9% na Alemanha, a Zona do Euro registrou na sexta-feira (17) inflação de 8,1%.

Um fator externo importante foi a decisão do FOMC que, apesar de estar dentro do esperado e Powell ter ficado em cima do muro em seu discurso, ainda assim os mercados encararam a posição de alguns membros com o viés mãos hawkish.

Londres teve queda de 0,41%. Frankfurt perdeu 0,67%. Paris teve recuo de 0,06%. Milão perdeu 0,29% Na península ibérica, Madri teve avanço de 0,84% e o Lisboa teve desvalorização de 0,11%.

Nos Estados Unidos, os mercados fecharam sem direção única. O Dow Jones fechou em queda de 0,13%. O S&P 500 e o Nasdaq fecharam com alta de 0,22% e 1,43% respectivamente.

Os mercados começaram com alta recuperando as perdas de quinta (16). Contudo, com Kashkari, um dos membros mais dovish do FOMC afirmar que apoia mais uma alta de 75p.b.

Quanto à conjuntura, os dados da indústria americana vieram aquém do esperado com as vendas do setor caindo 0,1% ante expectativa de alta de 0,3% e a produção saindo de 1,4% para 0,2% e expectativa de 0,4%.

No Brasil, o Ibovespa recebeu os efeitos de quinta-feira (16). Na sexta-feira (17), além da absorção dos impactos da véspera, a queda nos preços do petróleo e do minério de ferro impactaram fortemente a bolsa.

Outro fator importante a ser considerado foi o reajuste da Petrobras que foi considerada insuficiente, pois a defasagem já estava elevada.

Adicionalmente, a tensão do governo em relação à companhia é um adicional de risco. Assim, o principal índice da B3 teve perda de 2,9% a 99.825 pontos, perdendo o suporte psicológico de 100 mil pontos.

Para hoje (20 de junho)

Os mercados asiáticos recuaram enquanto os investidores ficaram de olho na taxa de referência para empréstimos do Banco Central Chinês continuassem em 3,7%.

Adicionalmente, os investidores absorveram o mau humor internacional em relação ao menor crescimento da economia global. Shanghai teve queda de 0,04%. O Nikkei caiu 0,74%. Hong Kong teve alta de 0,42%, refletindo os movimentos do Nasdaq. O Sul Coreano, Kospi, teve queda de 2,04%.

O minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve baixa de 10,98%, a 746,00 iuanes, o equivalente a US$ 111,54.

Na Europa, os mercados tentam a recuperação em relação ao pregão de sexta (17). Os dados de inflação ao produtor na Alemanha continuam elevados chegando a 33,6%.

Contudo o Banco Central do País afirmou expectativa de crescimento de 2% nesse ano, com a autoridade monetária do país assumindo que não haverá intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Contudo, tal projeção exige cautela, pois a manutenção do conflito ainda gerará impactos negativos à economia do continente.

Também, na Alemanha, há reinicialização das usinas de carvão devido ao corte de gás. Na política, Macron perdeu maioria no parlamento. Ao longo do dia, os investidores do continente ficarão de olho nos discursos de Lagarde e de outros membros do BCE como Panetta e Lane.

Nos Estados Unidos, os futuros também operam em alta em dia de agenda vazia. Os investidores ficarão de olho no Discurso de Bullard.

No Brasil, o mercado de ações pode absorver parte do bom humor externo. Contudo, a forte queda do minério de ferro tende a impactar negativamente companhias de mineração e siderurgia.

A perseguição à Petrobras também deve ser um ponto negativo do dia, ao passo que um colunista do mercado financeiro diz que o Ministério de Minas e Energia diz que a já tem quase pronto um projeto de lei propondo a privatização da Petrobras, em moldes que lembram a capitalização recém-concluída da Eletrobras.

Além das questões envolvendo a Petrobras o corporativo vem com notícias de Klabin (KLBN11) a aprovar a emissão de R$ 2,5 bilhões em debêntures, no contexto de uma operação de securitização, com taxa correspondente a NTN-B 2032 + 60 bps ou IPCA + 6,30% e prazo máximo de até 12 anos.

Na Eletrobras (ELET6; ELET6), nove dos dez integrantes do Conselho de Administração apresentaram carta de renúncia, segundo fato relevante divulgado pela empresa. A Eletrobras passou por recente processo de capitalização.

As ações do Banco Inter tiveram o seu último dia de negociação na sexta-feira, em meio ao seu processo de reorganização societária. A partir de segunda-feira, os ativos serão substituídos por Brazilian Depositary Receipts (BDRs) #INBR31, lastreados nos papéis da Inter &Co.

A Via informou que a BlackRock atingiu aproximadamente 5,0% do número total de ações ordinárias e 0,39% em instrumentos financeiros derivativos referenciados em ações ordinárias da companhia.

A Celesc informou que pagará JCP aos acionistas, no valor de R$ 41,8 milhões, sendo R$ 1,02498794722 por ação ordinária e R$ 1,12748674194 por ação preferencial. Farão jus aos JCP os detentores de ações de emissão da companhia em 30 de junho de 2022.

Autor: Matheus Jaconeli – Analista CNPI 2917

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